Sinos del-Rei


Mais do que duas toneladas e meia sendo empurradas. Um tanto quanto assustador. E o sino, com um rangido, faz uma volta em seu próprio eixo para voltar, estrondoso, ao seu lugar. E desviem as cabeças, sineiros... Desviem as cabeças, pelo amor de Deus!



O som ressoa pela cidade... É hora de missa. Vira-se o sino de novo, de novo, de novo. Badaladas dos séculos na cidade onde os sinos falam. E, em sua língua sagrada e velha, como falam alto! Meus ouvidos como que explodem. Não sei o que temo mais: que explodam, de fato, ou o momento em que terei de sair do campanário... Descer pelo mesmo corredor-escadaria em caracol, estreito e escuro, que me deixou em dúvida, enquanto eu o subia, se me guiava para algum lugar encantado ou se queria me matar, de tontura, aflição e cansaço, antes que qualquer segredo me fosse revelado.



Depois de dobrado o sino principal, os sineiros entoam repiques simultâneos em todos os sinos da torre. É divino e infernal, é atordoante e único, é hipnótico. Quero fechar os olhos, mas não quero perder a cena. Quero meu transe barulhento ao mesmo tempo em que quero o silêncio.





Para saber mais: Sinos (Logo nos primeiros segundos, uma das "manobras" arriscadas que os sineiros têm que fazer: equilibrar-se, com todo aquele peso, no beiral da torre.) | Batismo (Vídeo que conta um pouco sobre o fato de os sinos serem batizados e receberem nomes. São condenados também, caso causem mortes. Sim, já causaram.) | Sentinela sonora (O repique que soa aos 4:37 minutos desse vídeo é o mesmo que eu ouvi nos dois campanários em que estive — obs: as fotografias estão retratando apenas a torre dos sinos da Igreja São Francisco de Assis, em São João del-Rei) | Sineiro Nilson (Esse senhor, cuja paixão pelos sinos é belíssima de se ver, é quem teve a bondade de levar minha amiga e eu ao campanário.) Obs: os três primeiros vídeos são do Thiago Morandi, um jornalista muito bom formado na UFSJ. Eu tentei gravar meus próprios vídeos também, mas a qualidade deles ficou bem ruinzinha... (Guardei-os só para mim.) Veja também: A linguagem dos sinos | É como de fato fazer uma viagem no tempo (texto escrito por mim quando era apenas turista por aqui. Mudei-me depois para São João del-Rei — onde moro, então — para cursar Letras.)

9 comentários:

  1. Pobres sineiros, fico imaginando a dificuldade disso, e os ouvidos? Devem doer muito. Fotos magníficas.
    Beijo.

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    1. O trabalho tem seus riscos, mas vou te dizer uma coisa, Fernanda: os sineiros que conheci aquele dia são completamente apaixonados pelo que fazem... Tanto que, acabada a sessão de dobres e repiques na Igreja São Francisco, os mais novos (aprendizes do Nilson, mencionado ao final do post) ainda passaram por várias igrejas fazendo o mesmo. Fomos com eles a outras três, mas na última não conseguimos ir ao campanário. Foi uma manhã bacana!

      Muito obrigada! Beijos <3

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    2. Nada melhor do que fazer um trabalho do qual se goste de fazer não é mesmo? Sua manhã parece ter sido muito amor <3

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  2. Adoro a composição que tu faz entre as fotos e o texto.
    Toda vez que passo por alguma igreja e reparo nos sinos das torres fico pensando nas pessoas responsáveis por aquele som e qual é o significado desse para cada pessoa que escuta.
    Gostei dos vídeos sugeridos, percebi que não sabia nada sobre os sinos antes de sua postagem.

    Beijos!

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    1. Fico feliz que a postagem tenha sido útil (ao menos culturalmente), Isadora! Obrigada pela visita linda <3

      Beijos!

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  3. Tu tens momentos que eu não alcanço e nem posso comentar, mas sempre vou admirar teu trabalho, mesmo que cego e louco.
    Boa semana e um beijo na mágica das tuas mãos.

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    1. Muito obrigada pelas palavras tão gentis, Oakman! Beijos!

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  4. Olá,
    eu não iria querer ser o sineiro. que dó. Mas o ato em sim é magico. Atordoante mas ao mesmo tempo singelo.

    Um abraço.

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    1. É lindo!

      Um abraço para você também, NNT!

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