Falatório aleatório: justificando a minha falta de coerência

É que eu postei um texto que dava a entender que estou enfastiada com o universo colorido dos apaixonados (Piada interna), depois outro cujas linhas denunciavam um acentuado desequilíbrio mental (A abstração da casa e o concreto da loucura) e, depois, o texto Romantismo desmesurado de mais um coração encalhado, através do qual se pode supor que eu ando saltitante pelas ruas, procurando por meu-príncipe-encantado-meu-eterno-namorado. Desse jeito, alguém vai acabar concluindo que sou a criatura mais inconstante que já pisou na Terra ― conclusão que na verdade não está de todo errada, mas a questão nem é essa... A questão é: mesmo que este seja um blog pessoal, nem sempre que eu escrevo em primeira pessoa do singular eu estou escrevendo sobre mim. É claro que coloco minha essência na minha escrita, mas nem sempre é a minha vida, em tempo real, nua e crua que está em meus textos. As minhas verdades eu disfarço — exceção para a categoria Páginas do "quase diário", na qual estou jogando este texto —, misturando-as com outros contextos, com lembranças de muitos anos, com pensamentos aleatórios e uma dose de invencionice. Natural. É o que se espera da Literatura, esse lance de subjetividade + ficção. Por que estou falando sobre tudo isso? Sei lá. Só tive vontade de (tentar) justificar minha aparente falta de coerência.

4 comentários:

  1. risos...
    te entendo perfeitamente Lari, só que com meu defeito de me importar com o que os outros falam, parei de postar meus textos melodramáticos, que sempre deram a entender que eu estava perdidamente apaixonada, e não... eu apenas tenho o costume de escrever sobre as coisas ao meu redor, e muitas vezes fui interpretada mal. Muitos conhecidos meus, acessam meu blog, e começaram a dizer "Tá apaixonaaada né?" e quando eu dizia que não, eles não acreditavam, pelo fato de no texto parecer ser real, acredito que isso acontece por que escrevo com o coração. De qualquer forma... estou pensando em voltar a atualizar minha página de textos, porém penso que terei que ouvir os mesmos comentários e suposições novamente ∟∟

    www.pumpcolor.com.br ♥

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  2. Cara, eu estou amando seu blog!
    E poxa, a graça da escrita é justamente a licença poética! É a gente poder escrever com o coração, sem ordem cronológica ou qualquer ligação aparente com espaço-tempo. Dá até pra escrever sem ser exatamente você (será que essas pessoas nunca ouviram falar de eu lírico?!).
    Mas entendo totalmente sua justificativa. A gente está vivendo num mundo que leva tudo ao pé da letra, sabe? Perdeu-se toda a subjetividade, inclusive dentro da blogosfera. Sou de um tempo onde as pessoas criavam blogs pra escrever poemas, crônicas, contos etc. Hoje em dia se perdeu muito disso, o que é uma pena...

    Beijo!
    Burlesque Suicide

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  3. Desde que você continue nos fascinando com a sua digníssima escrita...
    ...Só não pare.

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  4. Eita que saudade dos textos daqui.... Só ler pelo celular não dá a mesma "emoção" - ou eu que sou louca? Whatever...

    Okay. Agora entendi.

    Eu escrevo bastante sobre os meus amigos também, até porque é interessante escrever sobre o que a gente consegue "pegar" do ponto de vista de outras pessoas.
    O importante é que, de certa forma, mesmo os textos que não são sobre você, sempre acabam servindo para alguém que esteja naquela situação. Sempre pensei que literatura fosse uma forma de conforto. Hoje, quando leio meus textos antigos, vejo que sempre mudei muito, e que via as coisas de outra forma, e isso é bom, gosto de ver o quanto fui amadurecendo, mas de novo, é passado, é pergaminho na gaveta, e quem lê meus textos mais antigões no blog sabe que eu não sou mais daquele jeito.
    Além disso, quem não gosta de ler ficção?

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