Mulher do padre

Eram umas cinco ou seis crianças na rua. Meninos. Estavam todos de boa, caminhando enquanto conversavam, até que um deles gritou alguma coisa e saiu correndo, com os outros correndo atrás. Eu observava da janela do carro e, como não podia ter certeza do que se tratava a cena, supus ser uma brincadeira parecida com uma que eu conhecia quando tinha a idade dos garotos: “Quem chegar por último é mulher do padre”. Uma simples determinação nos fazia apostar corrida, assim mesmo, do nada. Aí eu comecei a refletir... Não sobre os tempos de infância ou sobre a instabilidade do ser humano — hora com a mochilinha nas costas, voltando para a casa com os amiguinhos, hora correndo pelo único propósito de evitar receber o título de mulher do padre. Eu comecei a refletir que sempre, SEMPRE quem propõe a corrida inesperada — pelos outros — é quem tem a vantagem de alguns passos adiante do grupo. É quem já está na frente.

Ninguém é bobo.

8 comentários:

  1. Boa tarde Lari..
    muito bem observado este tema..
    lembro de ter ouvido mas acho que nunca foi no grupo que porventura estive srrs
    e se falassem isso não seria o último a chegar.. pq o magrelo aqui é bom de corrida...
    grato pela visita.. bjs e até sempre

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    1. Hahaha' já eu, se não fosse a última, provavelmente estaria entre os últimos, Samuel... Geralmente só corro quando a necessidade é muita!

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  2. bem verdade isso: de quem propõe a brincadeira ser quem sabe que terá vantagem na corrida. nunca tinha prestado atenção, mas... não somos todos assim, de apostarmos em algo que temos possibilidade de ganhar? ♡ @ emilie

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    1. Somos, sim! É algo natural. "Ninguém é bobo", haha'

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  3. Gostei da reflexão
    eu era sempre a última
    mas quando se é criança ninguém para para ter essa "maldade", ninguém nota essas "traquinagens"
    bju

    http://karinapinheiro.com.br/entre-chocolates-e-poemas/

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    1. Verdade! E dá uma saudade dessas traquinagens de criança, né?

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  4. Gostei de ter tocado nesse tema, a propósito sou bem traumatizada porque eu SEMPRE era a última a chegar e eu SEMPRE era o motivo das piadinhas e eu SEMPRE era chamada de lenta. Que infância é essa? Magoada. Mas era tranquilo e apesar de tudo era divertido sair correndo assim do nada, para nada, por nada.

    brancadenev3.blogspot.com

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    1. Verdade, Pietra... Época boa essa, em que a gente não ficava procurando sentido pra tudo!

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