Através das minhas "metamorfases" (2)

Da última vez que narrei meus dias para cá, o tempo correu com tal velocidade que eu não saberia definir quantas coisas aconteceram e, tampouco, situá-las cronologicamente num texto decente. O que eu trouxe, então, são fotos de momentos em que me lembrei de tirar fotos. E parágrafos avulsos...


Num domingo desses, estive em Holambra. Holambra: a cidade das flores... Acontece que ainda não era época do festival anual que ocorre por lá, então, honestamente, não houve muito que minha família e eu pudéssemos fazer. Ou melhor: minha mãe ficou que nem doida nos mercados de flores, ziguezagueando pelos corredores cercados de vasos, mudas e preços de todos os tipos; minha avó, justificavelmente entediada, vez ou outra apontava um canteiro florido na rua e comentava “Olha lá: orquídeas. Lá em casa tem um monte”, ou, no mercado, mostrava um pote de violetas e falava: “Lá em casa tem dessas também. Não tô vendo nada de diferente”; eu só estava acompanhando o decurso do dia e anotando mentalmente alguma ideia para um texto futuro; meu pai, quase mais entediado do que minha avó, disse que ia pegar a chave e esperar no carro.


Contudo, não nego: a cidade é um amor! Toda colorida, com várias casas em estilo europeu (dos descendentes de holandeses) e detalhes encantadores. Quando chegamos, por exemplo, fomos conhecer um “moinho” — entre aspas porque, como muitos pontos turísticos, ele não é lá muito legítimo, mas permite que tenhamos uma noção de como é o interior da estrutura original. Vejamos: uma espécie de cilindro que vai ficando cada vez mais estreito e cujos degraus das escadas que levam aos andares superiores são muito espaçados e têm uma largura mínima para suportar nossos pés, de modo que, por segurança, temos que descê-los de costas. Ô, sensação esquisita! Eu estava quase que prevendo a hora em que eu iria perder o controle da situação e entalar meu pé no vão de algum degrau ou tropeçar e sair rolando escada abaixo. Nada disso aconteceu, mas, no calor da minha precaução e dos meus passos firmes, macetei a canela na madeira não sei nem quantas vezes...


As plantinhas (foto da esquerda da montagem abaixo): a da esquerda eu trouxe de Holambra. Um cacto bonitinho com algumas florzinhas na ponta. Mas, quanto às florzinhas, minha avó ressaltou muito bem: “São artificiais, tá bom? Não que eu queira te chatear, nem nada, mas é melhor você saber agora do que se desiludir quando chegar em casa”. Aí eu disse: “Tudo bem, vó. Eu gostei do cacto”. Então minha avó rebateu: “Cê que sabe. Mas não vai se iludir. São flores artificiais, viu?”. Ok... com o tempo ela percebeu que eu posso amar um cacto mesmo que ele não tenha flores e — wow! — isso daria uma metáfora legal...

No meio (ainda falando da foto da esquerda) é um cestinho cheio de ramos secos. “Por que ramos secos?”, alguma boa alma deve estar se perguntando. Deixe-me contar o porquê: pessoas normais, quando estão deprimidas, vão ouvir música melancólica e procurar um canto para se enroscar e chorar. Eu não. Eu saio pela estrada colhendo ramos secos que exprimam meu estado de espírito. É mais artístico. Como o Van Gogh, que pintou um trigal cheio de corvos para demonstrar como estava se sentido. (Mas claro que, de todas as vezes em que estive deprimida, apenas numa tive ânimo para dar uma de chapeuzinho vermelho e sair pela-estrada-a-fora-bem-sozinha. Geralmente, sabe, eu me enrosco num canto e vou ouvir música melancólica. De fato, é mais prático.)


Na direita (é, ainda falando da foto da esquerda): no dia seguinte à minha viagem a Holambra, meu novo cacto de estimação já estava enfeitando o beiral da minha janela e encantando todos que adentravam meu recinto de inspiração — vulgo “quarto”. Até meu pai se deixou levar pela poesia da coisa e, querendo ser amável comigo, comentou: “Ficou uma belezinha... Delicado que nem você, né, filha?”. Na hora agradeci e tal, mas depois fiquei refletindo: sou delicada que nem um cacto

Mas, voltando à história, minha mãe também curtiu o lance do cacto enfeitando a janela (ideias de We Heart It) e arranjou outro para mim, plantando num vaso pequeno uma muda que havia aqui em casa. Estou pensando seriamente em começar a colecionar cactos.

Selfie (agora falando da foto da direita. A propósito, a foto do meio eu tirei no sítio, mas só a coloquei neste post para completar a montagem de três fotos): lembram que eu tive que “murchar minhas orelhas” — adoro esses ditados antigos que, fora do contexto, ficam totalmente sem noção — e voltar a ter um Facebook? Então. No dia, tive que me virar para tirar um autorretrato para substituir o avatar azul do meu perfil. Ou seja, tive que tirar trocentas fotos para conseguir uma que prestasse, de modo que só encontro duas alternativas para quem posta selfies todos os dias nas redes sociais: ou a pessoa é muita bonita e consegue um resultado satisfatório logo nos primeiros cliques, ou ela não tem nada para fazer e pode ficar experimentando caras e bocas até a eternidade. Enfim, com as fotos que sobraram, fiquei testando uns efeitos no Photoscape. O que, pensando bem, também é um tipo de falta do que fazer... Droga.


Nesta semana, além da tortura habitual que é ficar cheia de provas perto do fim do mês, teve uma gincana na escola. A faixa da foto (“Vai equipe Dom Bosco!!!”) foi ideia de uma amiga e arte conjunta nossa, tudo para ajudar na torcida. Valeu a pena. Minha equipe começou ganhando, mas não vou me estender no assunto porque 1. se tem uma coisa que aprendi com a vida é a não contar vitória antes da hora e 2. já cansei de escrever por hoje. Sério.


"Se você estiver indo para São Francisco
Certifique-se de usar algumas flores em seu cabelo"
[San Francisco, Scott McKenzie]

Se você estiver indo para Holambra, bem...
Certifique-se de estar indo na época certa.
Ou de levar uns cactos para casa.

10 comentários:

  1. Tu é tão talentosa Lari, sempre me inspiro com seu blog <333
    beijinhos
    Mania de Bruna
    @ManiaDeBruna

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  2. Esse problema com o tal tempo, não é? Esta nos consumindo rs E nossos momentos também! :o Sabe, eu comecei a ler sobre seus dias, e quando me deparei com Holambra, fiquei muito tempo refletindo sobre isto enquanto lia. Aí tive que reler tudo novamente rs Mas meu, Holambra, o nome tem relação com o fato de Holandeses terem influêciado na cidade? Holanda = Holambra? rs Ai, to rindo aqui, bem bobo, enfim.

    Nunca tive cactos uhm, minha ex já teve plantas carnívoras, mas elas morreram (aí tu pensa: "como hells alguém deixa uma planta carnívora morrer?", sendo que é só deixar ela perto de uma janela e ela faz o resto sozinha rs) fim da vida! E bah, foi meio confuso o elogio do papitxo, mas foi com boa intenção.

    Bom, é isso aí. As fotos ficaram maneiras e tu e esse complexo com a tecnologia e selfies rs
    Fique bem querida, aproveite seus dias e até a próxima.
    xoxoxo
    =]

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  3. Nossa que cantinho mais adorável o teu. Fiquei encantada com sua narração e belas fotos! Parabéns, tens uma sensibilidade incrível. <3

    Benção de fadas.

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  4. Que fotos lindas <3 Essa cidade parece ser linda, então vou ver se vou na estação para ver de pertinho *0* Sua foto ficou linda, e eu também não entendo essas pessoas que postam de 2 em 2 segundos uma foto novas deles mesmos. COMOFAZEMISSO?! Mas enfim... Esse final ficou super legal e engraçadinho e essa música *0* ADOREI!
    http://viagem-a-terra-do-nunca.blogspot.com.br/

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  5. Boa tarde Lari.. sempre que tu tens momentos assim nos brinda com fotos muito belas e uma descrição sempre rica e habitual das tuas visões magnificas visto que és uma observadora nata.. nós e nossa metamorfose diária.. tudo que nos cerca muta e nós mutamos ainda mais pq o tempo que julgamos não é real.. o tempo em si é luz e mais luz... bjs e até sempre

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  6. Que fotos encantadoras, me deu muita vontade de conhecer essa cidade, deve ser um pequeno paraíso em meio ao caos urbano. Gostei muito do modo como você descreveu a sua estadia lá, repleto de reflexões, metáforas e bom-humor. Li sem perceber a extensão do texto, poderia ficar horas lendo textos assim.

    Beijos Lari

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  7. Que foooooootos mais lindas!
    A cidade deve ser perfeita, fiquei com vontade de conhecer, e até me imaginei lá.

    Minhas Inspirações
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    Um beijão e ótima segunda-feira ♥

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  8. Você é demais, Lari, adoro a maneira que você escreve. Amei as fotos, Holambra é um amor, fui lá só uma vez, mas amo com todo coração porque é uma cidade que transpira paz.

    http://www.novaperspectiva.com/

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  9. Que lindas fotos Lari, e tu sabe mesmo como deixar um texto maravilhoso hein? Amei *-*

    www.pumpcolor.com.br

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  10. *----* Holambra!!!! Li um livro há algum tempo que citou por vezes esta cidade... Como eu tinha me apaixonado pelo livro automaticamente passei a amar a cidadezinha.
    E falando em cacto, obrigada! Acabei de me lembrar que tenho um cacto do qual havia me esquecido que sua existência dependia de mim... Acabei de olhá-lo, está começando a amarelar. Eu sei, é tenso. Como é que alguém pode deixar um cacto morrer? UM CACTO!! Imagina quando essa criatura for ter filhos? E o pior é que este já é o terceiro cacto...
    Ok, se ele morrer posso tentar uma quarta vez.

    Mas vou te privar de meus fracassos no quesito de responsabilidade, afinal, amo quando você faz esses posts relatando sua vida :D
    Beijos, Própria Mente

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