Primeiras vistas

Então olhei pelo vidro da janela do carro,
Perplexa com os trechos de azul que eu conseguia visualizar
nos intervalos entre as casas
Um azul profundo, brilhante e que espumava
Na dança sem ritmo das ondas

Eu, agora, mais do que perplexa — hipnotizada
Pois as casas que me escoltavam à esquerda da rua
Rarearam
Deixando maiores os intervalos
entre
uma
e outra
Assim meus vislumbres também aumentaram
Junto com meu tempo de contemplação
quando o semáforo fechou e o carro parou:
As ondas dançavam,
As espumas acompanhavam,
O Sol refulgia...

Era meio-dia e o sinal abriu.

Deixei para trás a eternidade daqueles segundos finitos, contraditórios
Minha permanência limitada no asfalto
Entrelaçada com a infinidade do além-mar...



A tarefa passada em aula era a seguinte: escrever uma narrativa em versos, tal como a Infância, de Carlos Drummond de Andrade, na qual as primeiras estrofes tivessem tempo psicológico e as outras seguissem a delimitação de um tempo cronológico.

Para a composição dos meus versos usei uma lembrança de anos atrás... 

Eu tinha acabado de descer a Serra do Mar a caminho de Ubatuba, e ainda estava me recuperando de uma surdez temporária causada pela mudança repentina de altitude. Então, do outro lado da rua, nos espaçamentos das casas rentes ao meio-fio, tive minhas “primeiras vistas” do mar e de um horizonte reto e muito azul. Lembro-me de ter ficado abobalhada: era a magnitude da visão — mesmo que esta estivesse entrecortada  somada à fascinação infantil por tudo que é novo e parece mágico.

A foto que estampa o post (* indisponível depois da atualização pela qual o blog passou) foi tirada no dia seguinte. Ela retrata um céu cinza e um mar opaco que, de fato, não condizem com minha poesia. Por outro lado, sendo um registro pessoal, condiz com a lembrança e dá a ela ainda mais valor... Ao menos para mim.

7 comentários:

  1. Seu poema ficou muito gracioso e envolvente. Você escreve muito bem; amei seu blog.

    Beijos, nat-intensivaterapia.blogspot.com.br

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  2. Muito bom dia Lari... poder parar este breve instante e contemplar a beleza deste azul.. desta onda que nos brinda com uma paz tanto pela magia, quanto pelo som é tudo né..
    aqui tenho bastante do verde para contemplar rsrs interior e planta pra todo lado.. mas tem magia igualmente.. bjs e até sempre

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  3. Ficou tão fofo, meio que humilhou meus poemas kkkkk
    Adorei, mesmo, até me emocionou
    Beijos
    http://lembranca-ao-vento.blogspot.com/

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  4. A beleza das pequenas coisas não tem comparação, saudades de quando meu professor pedia para fazermos poesia.
    Beijos,
    http://sen-do-escritora.blogspot.com.br/

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  5. Teus poemas como sempre perfeitos, Lari ♥ Adorei. Principalmente porque fala do mar. Adoro o mar... E a foto ficou muito linda! Amei, amei, amei.

    Beijos ♥ wakin-g.blogspot.com

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  6. A composição ficou ótima, realmente inspirada no Drummond, na realidade senti até uma afinidade sua em especial com o texto dele, costuma lê-lo? Enfim, lembranças são sempre boas, e quando isto acontece, de convertê-las em contos, poesias, etc, é como reconstruir um bom momento.

    Isso aí.
    xoxo
    ugdu =]

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    1. Para ser honesta, ainda conheço muito pouco do Drummond — mas do pouco que conheço já é possível admirá-lo e ficar contente pelo que você disse sobre a afinidade!

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