O contexto que inventa um texto (primeira parte)

Às vezes, penso que tenho fortes tendências a desenvolver TOC... Porque mal chegaram minhas férias e eu já fui organizar os marcadores do blog — o que não seria problema se 1. “organizar marcadores” fosse uma tarefa normal e 2. eu já não tivesse feito isso em todos os julhos e dezembros que vieram antes, desde que o Jeito Único saiu do plano das ideias e partiu para o mundo das ações. Pobre de mim... Mas a questão nem é essa! Enquanto eu fuçava nas tags dos tais marcadores, das mais antigas às mais recentes, fui descobrindo textos de Larissas de diferentes fases. Cada texto me trouxe uma impressão diferente, uma lembrança distante, as respostas exatas para as questões quando/como/por que foi escrito. Ah, meus textos tão cheios de contexto...!




Escrever um texto ouvindo música. Muitos autores já declararam só conseguir inspiração para uma maratona de escrita quando há alguma canção tocando ao fundo. Alguns desses mesmos autores, inclusive, deixam playlists nas páginas finais de seus livros para embalar a leitura das pessoas, caso desejem.

Eu já escrevi, também, alguns textos inspirados em músicas... Lembro-me, por exemplo, de que a ideia para Sem rumo surgiu de duas canções do Cazuza (O Tempo Não Para e Ideologia), e que, quando fui escrever Aqui, comigo, ouvia Wish You Were Here (Pink Floyd) no quarto enquanto alguém estava na sala com o som ligado em Não Me Perdoei (Victor e Leo). Mistura doida! Também teve Não Me Esqueça, que surgiu do título igual Don't Forget Me (Red Hot Chili Peppers). Mas o caso mais memorável para mim foi o do texto O espelho da penteadeira: a inspiração inicial foi My Immortal, da banda Evanescence, mas, quando eu estava no processo criativo em si, foi Lithium que me ditou os parágrafos. Foi muito bacana a forma como a melodia tocada nos meus fones fazia parecer que eu mesma estava vivendo a cena descrita no meu texto!


Foi depois dessa experiência que comecei a dedicar uma categoria no blog aos textos que nascem essencialmente da associação melodia, letra e inspiração, como ocorreu em Procurando pelo herói do dia, baseado numa de minhas canções favoritas do Metallica.

Para meus escritos em geral, deixo de lado os fones de ouvido... Principalmente porque vivo me esquecendo de montar playlists específicas, de forma que o modo aleatório quebra todo o meu encadeamento de ideias ao sair de uma música super calma e melancólica para uma B.Y.O.B da vida.


Conclusão do contexto Escrever ouvindo música: quando se tem uma ideia principal, a música X (ou a playlist X) funcionará de pano de fundo para seu texto, auxiliando-o no processo criativo. Quando não se tem ideia nenhuma, a música ditará as regras para sua inspiração — daí o perigo do modo aleatório anteriormente citado, já que ele pode causar, literalmente, uma quebra de ritmo...

Exemplificação retardada e desnecessária para uma, literalmente, quebra de ritmo:


[Nos fones, música calma, romântica, melancólicaEla acordou naquela manhã cinzenta sentindo o vazio habitual a que chamavam saudade. Pôs-se a lembrar de seus olhos, dos momentos doces que viveu com ele... [Nos fones, começa a música pesada, som de raiva deixando de ser reprimida...e que afinal não faziam falta nenhuma, pois foram todos uma droga, admitia. Ele era tão idiota, tosco, e só sabia falar dos músculos que adquirira depois de muito esforço na academia, esforço esse, ela pensava, que teria sido melhor gasto com estudos, porque o Português dele era terrível... [Nos fones, uma música agitada e alto-astral toma o lugar da anterior] ...mas nada disso importava. Estava fazendo um dia tão lindo! Quer dizer, ela gostava de manhãs cinzentas e, de qualquer modo, a característica “cinzenta” usada anteriormente foi mais uma metáfora para seu estado de espírito do que qualquer outra coisa e... [Nos fones, nova música pesada...com dia lindo ou não, ela queria que o mundo se explodisse.

Uma finalização que vem depois da conclusão, se é que isso existe: gostaria que vocês me contassem, nos comentários, o que pensam do uso dos fones de ouvido em sintonia com o processo de escrita. Caso alguém deseje, pode deixar, ainda na área de comentários, o link de algum texto que escreveu ouvindo música!

A playlist com algumas das músicas que foram citadas no post: (obs: playlist indisponível atualmente.)

p.s: Confesso que, das músicas citadas no post, metade não costumo ouvir mais... Todavia, foi uma nostalgia gostosa, depois de fuçar nos textos de Larissas de outras fases, relembrar também as canções de Larissas de outras fases. | p.s.(2): A playlist acima (indisponível) é basicamente composta por rock, por isso ficou um pouco hilária a presença da música Não Me Perdoei ali no meio, haha... Fazer o quê, eu não podia praticar bullying contra ela, deixando-a de fora! Até porque a dupla Victor e Leo é, de certa forma, minha exceção para o Sertanejo | p.s.(3): A saga O contexto que inventa um texto continua!

13 comentários:

  1. É nostálgico ler do seu blog as postagens mais antigas até as mais recentes :T Sabe, Lari, uma das minhas principais inspirações para escrever são as músicas. E, cara, você gosta de Evanescence! <3 Estou doida para ler as próximas postagens de "O contexto que inventa um texto" :3
    Beijos || Unlocked Land ❤

    ResponderExcluir
  2. Eu também adoro escrever ouvindo música, mas as vezes começo escrevendo sobre algo e a música muda e o texto acaba mudando também. Resultado, no final aquelas palavras embaralhadas que tinham uma linda amizade perderam o sentido e brigaram... fica mesmo estranho, não é?
    http://in-acreditaveis.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Também acho que tenho fortes tendências a desenvolver TOC.
    Eu costumava escrever textos com músicas como pano de fundo. Músicas da Avril Lavigne, principalmente. Mas isso foi em uma fase mais ''deprimida''. Só não te mando porque vai te passar a imagem de uma pessoa que eu já não sou mais, e também porque não tenho ideia de onde ele esta. Gostei desta postagem.

    http://u-nshaken.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  4. Às vezes também acho que tenho muitas chances de chegar a desenvolver TOC, mas paro e penso que pode ser normal se incomodar com coisas assimétricas shuashuuas (que são as que mais me irritam). Eu adoro ouvir músicas que ouvia de 2003 a 2010, é muito engraçado e eu penso "essa música ainda existe? o que houve com esse cantor que nunca mais fez músicas?" Músicas são sempre as maiores causadoras de nostalgia na vida de grande parte das pessoas... O que mais me inspira são desenhos digitais, pinturas digitalizadas e qualquer imagem que possa ser encontrada no deviantart, as músicas ajudaram bastante até no processo da escrita do meu livro, principalmente a Couting Stars da OneRepublic... Sei mais ou menos como é a nostalgia de ler um texto escrito há alguns anos atrás... Esses dias achei um texto que escrevi de sociologia há poucas semanas e já achei engraçado o que eu escrevi e tudo mais... Isso é muito legal, ainda mais quando leio cartas que eu escrevia quando era criança suahsuahsa

    Bjs!

    ResponderExcluir
  5. Bom dia Larissa.. tem que se inspire na natureza longe do barulho.. eu só com música mesmo.. seja clássica, relaxante ou o gostoso rock.. sem tanta pancadaria claro..
    beijos de bom dia

    Lapidando Versos

    ResponderExcluir
  6. Bom dia de novo Larissa... fico feliz não só pela tua visita.. mas pelo teu gostar dos meus versos que as vezes a alguns espantam.. mas acho que se espantam é pq muitas pessoas tem muito do que falo nelas.. vc tem uma visão ampla.. dá foco nas coisas que escreve e faz.. vais muito longe pq esta aberta a entender como o sistema funciona..
    continue assim.. tens muito potencial para seguir sempre adiante..
    em breve vou te mandar uma lembrança por email.. avisarei por aqui.. bjs e até sempre

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seus comentários, sempre motivadores... Muito obrigada, Samuel, seguirei seu conselho e aguardarei o e-mail!

      Excluir
  7. Oi Lari! Poxa, música e escrita andam lado a lado mesmo. Durante todo o processo de desenvolvimento dos meus livros, eu só consegui evoluir quando havia uma música ao fundo. E também é fato, que, se estiver escrevendo um lance romântico e começa a tocar metallica, a gente se perde IhDWQIUHDUIQWDuIQWD eu costumo fazer playlist de acordo com o plano do capítulo ou a base da minha inspiração para o texto/poema/etc. E eu costumo organizar as labels e PUTZ NOSTALGIA total!

    Isso aí!
    xoxoxo

    ResponderExcluir
  8. Sou horrível para textos, mas os poucos 'bons' que consegui fazer na vida tiveram ajuda da música, então acho que música e escrita My Immortal ♥ Não ouço muito Evanescence, mas essa música é perfeita. Eu simplesmente amo os textos citados, e re-lendo eles com as músicas, ficam ainda melhores. Ah, estou louca pra ver mais posts dos contextos que inventam um texto!

    Beijos ♥ wakin-g.blogspot.com

    ResponderExcluir
  9. Eu nunca escrevi ao som da música, qualquer dia tenho que exprimentar.
    Garota Sonhadora

    ResponderExcluir
  10. O meu Entre rock, almofadas e café surgiu de quando eu estava ouvindo alguma música da Lana e mudou para o clássico Boulevard of Broken Dreams do Green Day. Acho que músicas inspiram sempre algo, textos, desenhos e até layouts, hehe. Nunca escrevi textos tão bons quanto você, e nem em tanta quantidade, mas músicas sempre me ajudaram.
    Sel do Jovens Gordinhas

    ResponderExcluir
  11. Nunca fiz isso mas realmente deve ser bastante inspirador.
    Mas eu, que ouço música tão diversificada, o texto iria ficar muito estranho e bipolar kkk
    Beijos.

    http://passarosnooutono.blogspot.pt/

    ResponderExcluir
  12. Sei lá quantos poemas BYOB me rendeu, pois eu nunca enjoo de musicas que eu amo, e sempre me inspiro mais e mais com elas, encontro diversos sentidos, e reajo de diversas maneiras cada vez que escuto sua melodia. Mas quando se trata de textos, se eu escuto qualquer musica que for, eu me perco na escrita... Isso é realmente chato, mas fazer o que se sou assim. Rsrs'.

    Beijos, INconvencional!

    ResponderExcluir