As frustrações de uma devoradora de livros (segunda parte)

Já tem algum tempo que eu postei por aqui algumas das frustrações que nós, leitores, — nós, que amamos cheiro de palavras impressas em páginas, nós, que encontramos nas prateleiras de livrarias e bibliotecas uma infinidade de caminhos para novos mundos (ou para nosso próprio mundo, sob uma nova perspectiva), nós, que sofremos com bravura e resignação os preconceitos por preferirmos consumir livros do que sermos consumidos pelos vícios banais nos quais boa parte da humanidade se afunda — encontramos mesmo em nossa paixão pela literatura... Pois bem, a lista continua!


 Quando o(a) protagonista é uma pessoa fútil, sem personalidade definida e/ou sem algum objetivo de vida. Mas vale lembrar que essa frustração perde todo o seu peso se o(a) personagem em questão evolui no decorrer da história, seja porque conheceu alguém que o(a) fez cair na real ou porque viveu alguma experiência que o(a) fez adquirir maturidade.

 Quando o mundo descrito no livro que você está lendo tem enormes semelhanças com o mundo que você vinha idealizando, há algum tempo, para o seu livro. Quero dizer, o seu possível futuro livro... Ou, ainda, para o seu possível enredo para um possível futuro livro, já que você provavelmente ainda não tem muita certeza sobre o que vai escrever... Não importa. O fato é que é muito frustrante quando o autor parece ter roubado sua grande ideia por telepatia e se mostrado mais esperto que você, ao escrever um best-seller conhecido mundialmente primeiro.

 Quando seu personagem preferido tem um fim trágico. (Não vou fazer nenhum comentário por respeito ao seu personagem preferido que teve um fim trágico.)

 Quando um gritante erro de gramática passa batido pela revizão. Sim, o revisão com "z" foi proposital. E só estou avisando porque sei que sempre tem alguém que não entende a ironia da coisa.

 Quando a vida dos personagens da sua atual leitura é tão emocionante que você passa a se sentir uma inútil numa vida inútil. Na verdade, essa frustração é bem comum... Ou você vai me falar que nunca teve vontade de entrar num guarda-roupa e sair num mundo no qual você é rainha? Ou de receber uma carta convidando-a para se matricular em Hogwarts? Ou ter uns trocentos caras perfeitos (e digo "perfeito" no sentido literal da palavra, pois, no conceito de certos autores, é super normal esbarrar com um cara lindo, inteligente, bondoso, cavalheiro, sexy, esportista, cheio de cultura e solteiro, tudo ao mesmo tempo, por aí) babando por sua causa?

 Quando você empresta um livro para uma pessoa e a pessoa acha que você deu de presente para ela. Isto é, nunca mais devolve.

 Quando não é possível imaginar a ambientação em que se passa a história.

 Quando você tem que ler algo por obrigação. Porque, às vezes, somos obrigados a ler livros realmente chatos... Vão me dizer: "Tô sabendo, os clássicos que a escola me faz ler são um saco!", e eu talvez concorde em parte apenas para justificar este item da lista. Mas fica a dica: nem todos clássicos são "chatos"! Na verdade, a minoria é, pelo motivo óbvio de que, se são clássicos, são bons. Muitos não percebem isso por puro preconceito, afinal, apesar da linguagem complicada, que nos faz sair da nossa zona de conforto (outra vez literalmente falando, porque, pelo menos no meu caso, sempre preciso levantar do sofá no qual eu estiver lendo para pegar um dicionário de auxílio) ou do contexto literário distante da nossa realidade, não foi à toa que eles ganharam tão nobre título ao se eternizarem através das gerações. E, se atravessaram as gerações, não foi para aguentarem os resmungos injustos daqueles que só dão moral para os best-sellers da moda.

 Quando os diálogos são extremamente previsíveis. 

 Quando o autor se esquece de tapar certos buracos no enredo.

13 comentários:

  1. São frustrações tão comuns nessa minha vida de leitora que eu até pensei que tu fosse eu, Lari. E aqueles erros de português gritantes? Agh, que raiva! Ou formatação errada. Ou tradução ridiculamente péssima... São infinitas frustrações, não é?
    Beijos || Unlocked Land ❤

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  2. Eita que os tópicos hoje são bem variados! *---* Adorei suas observações à respeito deles, Lari! E se prepare porque esse comentário vai ficar um pouco grande...
    ♥ Nossa, esse tipo de personagem me irrita tanto que, em leituras assim, a vontade de jogar o livro na parede me acompanha. Mas, realmente, às vezes é preciso apresentá-los assim para lhes dar uma lição, e é mesmo lindo quando isso acontece! Mas há exceções e, infelizmente, já fiz leituras em que os personagens não mudavam um fio de cabelo, quem dirá o caráter;
    ♥ Pensei que só eu tinha esses pressentimentos durante alguma leitura, bate aqui o/ Inclusive, tem um livro para sair esses dias que eu estou muito ansiosa mas muito receosa de ler porque tenho medo que o(a) autor(a) tenha feito o que eu pensei em fazer, sabe... Mesmo que em pequenas escalas, eu sempre passo por isso em alguma leitura;
    ♥ Coração apertou aqui... :'( Lembrei de uma 'galera' considerável que passou por isso nos livros e... AUTORES, VOCÊS SÃO MUITO MAUS! #surtando;
    ♥ Normal passar uma, duas coisinhas despercebidas, mas... parágrafos quase inteiros? Páginas e mais páginas? Na boa, NÃO. E também tem aqueles casos em que o(a) autor(a) realmente não soube escrever alguma coisa e não preparou o texto. Li dois essa semana que quase choro de desgosto, caramba. Falando sério. =S
    ♥ Vou nem comentar sobre esse item, você já disse tudo. Mas, só uma coisa: Caiam na real, autores, esses mocinhos perfeitos não existem na quantidade e conveniência que vocês imaginam, ok? E dói admitir isso, mas é verdade.
    ♥ Pior que às vezes é porque a pessoa realmente demora a ler e você tem que esperar meses para receber... se é que vai receber. Felizmente, isso nunca aconteceu comigo, mas isso é consequência de eu não gostar de emprestar livros, haha;
    ♥ Esse item é incômodo principalmente em tramas fantásticas. Por isso que vale bastante quando o livro acompanha algumas ilustrações do universo e criaturas imaginadas pelo autor, sabe, um auxílio;
    ♥ Acredita que até hoje não passei por nenhuma leitura obrigatória de clássicos? Sério, tive poucos professores focados em leitura, na verdade. Porém... esse ano a professora é assim, e prevejo que ela irá pedir leituras assim. Vou ali me preparar psicologicamente para essa pressão;
    ♥ NÃO TEM COISA PIOR DO QUE ESSES DIÁLOGOS PREVISÍVEIS, realmente. Quando me deparo com eles no meio de alguma leitura eu fico tipo: 'tá, desculpa, autor, mas se eu quisesse ver diálogos tão sem graça assim, eu iria ali conversar com algum desconhecido na rua'. Hum...
    ♥ Esse é o estopim da lista. O cara fala sobre um mistério lá no início do livro, de que a protagonista passa por um problema mental ou familiar e depois... ele some magicamente. Oi? NÃO. E também tem aqueles casos especiais de quando o autor abre um buraco enorme de mistério e instiga os leitores à descobri-lo mas, no final, o conclui com uma resolução bem boba e desproporcional.
    São tantas as frustrações, não é mesmo? E pior que não para por aí. Mas, ok, chega da sessão 'tapa na cara' por hoje, rs. Adorei o post, Lari, como sempre! E sorry pelo comentário do tamanho de Nárnia. Te pago uma passagem para aquele guarda-roupa para te compensar por tanta enrolação minha hoje.
    Beijos...

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    1. Mas eu gostei tanto desse comentário do tamanho de Nárnia que, mesmo sem a passagem para o guarda-roupa mágico, já vou ficar sorridente por muito, muuuuuito tempo... Haha ♥

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  3. Ei, dividimos TODOS essas mesmas frustrações, mas o que me irrita mais em tudo isto, são os erros mesmo, palavras com letras sobrando e etc. E já passei por isto de começar a ler algo com um universo semelhante a um que eu achei que havia criado rs É destruir com a alegria.

    Acho que ainda faltam algumas coisas, mas se citar tudo, choraremos ao ler rs Afinal, 2 listas já são enormeeees.

    Isso aí.
    xoxoxo
    UGDU

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  4. Olá lindona!!!!
    Tô só me situando, faz tempo que não apareço kkkkkkk
    Tá lindo como sempre *-*
    Fica com Deus, beijão.

    http://isabellalessa.com/

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  5. verdade, adorei o post, realmente muito bom.

    http://stroke-of-insanity.blogspot.com.br/

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  6. Boa tarde Larissa.. meu medo na obra que estou a escrever é usto o de não conseguir dar ao principal personagem uma dinâmica bem definida..
    estou batendo cabeça para colocar tudo em sincronia como faço com as poesias..
    eu já passei algumas frustrações com livros principalmente pq só gosto de ler pdfs.. mas faz parte.. beijos e até smepre

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  7. O pior mesmo é se sentiu inútil numa vida inútil. Amo (e detesto ao mesmo tempo) quando um livro tem um enredo perfeito, mas ele é tão bom, que eu nunca quero terminar. E quando termino dá aquela frustração de não ter aquela vida...
    Quanto aos clássicos, o problema não é a linguagem diferente da nossa atual, mas sim a obrigatoriedade de ler algum deles durante a estadia na escola. Afinal, QUALQUER livro que seja obrigado de ler, perde-se totalmente o prazer de ler, aliás, qualquer coisa por obrigação é chata.
    Histórias incompletas são o fim, realmente.
    E protagonistas fúteis me fazem desistir do livro logo no começo... :p
    Sel do Jovens Gordinhas

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  8. Vou compartilhar esse post com o mundo porque olha, me identifiquei completamente. No momento o que tá me matando é "quando seu personagem preferido tem um fim trágico", tá difícil superar todos os personagens que a senhorita Veronica Roth tirou da minha vida.
    Agora, menina, fico boquiaberta com seu blog todinho. Amo a forma que você escreve, suas ideias, seu gosto musical, até a sensação inexplicável e boa que eu tenho lendo o Jeito Único. Às vezes nem acredito que você tem 16 anos. "Ah, se todas as garotas de 16 fossem ao menos um pouquinho parecidas com a Lari!"
    Um beijo pra você que vive me encantando com seu jeito único.

    raquelcarmim.blogspot.com

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    1. E eu fico boquiaberta é com comentários lindos assim! Obrigada de verdade pelo carinho, amore, você não sabe quão maravilhoso é saber que o Jeito Único é especial para os leitores... ♥

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  9. Adorei o post. São todas as minhas frustrações tão bem expressadas que me admirou. Só li um livro que tem erro gramático, e quase rasgo ele e jogo na cara da escritora. O livro era tão bom, com um erro tão grande! Acho que muitas coisas nos irritam, como quando alguém diz "por que está lendo o livro se tem o filme?" ou então fala que ama esse livro e nem sabe quem é o personagem principal. Adorei este blog. Você escreve muito bem.
    photo-and-coffee.blogspot.com

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  10. O pior de todos é quando "seu personagem tem um fim trágico". Gente, eu sei que nem tudo é flores, mas é tão ruim quando o personagem que você pega um "carinho" sabe... achando que ele vai se sair bem no final e aí... Acontece um coisa FORA DO NORMAL E BÁ-U BÁ-U :( HAHAHAHA
    Beeeeejus! ^-^

    dallyse.blogspot.com.br

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  11. Lembrei do livro que QUASE virou meu preferido, mas aí o autor matou a minha personagem favorita, e...diálogos previsíveis também, detesto!!
    http://www.novaperspectiva.com/

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