As frustrações de uma devoradora de livros

Nesta vida de expectativas desenganadas, tão bem descrita por pessimistas renomados ao longo do tempo, nem mesmo a maravilhosa função de ser leitor escapa da imperfeição...

Aqui as opiniões se dividem entre pessoas que acham que minha afirmação é óbvia e desnecessária e pessoas que são a favor de que eu seja esfolada viva, por insinuar que livros também têm defeitos. Espero que você se encaixe num terceiro grupo: o de pessoas que estão dispostas a deixar-me estampar minha ideia com uma lista sobre as frustrações que encontro em ser leitora.


Quando o livro pesa tanto que é possível fazer musculação com ele. Não tenho nada contra histórias compridas; se forem contadas de forma envolvente, que mal há? Até prefiro passar mais tempo absorta entre cenas instigantes e personagens encantadores antes que um sinal de pontuação delimite o desfecho. O único problema é que, em geral, o tamanho da história é proporcional ao tamanho do livro, e este costuma ser proporcional ao seu peso. Com isso, o já mencionado tempo que você gasta com a leitura é acrescido de bons minutos procurando por uma posição confortável o suficiente para começá-la... sabe, sem que seus braços fiquem dormentes ou você corra o risco de ter seu nariz esmagado ao suspender o livro sobre o rosto e ele, acidentalmente, ceder à gravidade.

Quando certas características físicas dos personagens demoram a ser reveladas. Se eu sou considerada lenta por gastar quase três minutos por página ao ler um livro, é porque exagero na hora de situar minha imaginação no contexto do mesmo. Qual é, descrições não são meros enfeites para deixar o parágrafo mais pomposo: são coordenadas ajudando o cérebro a abusar da própria coleção de impressões a fim de contextualizar o que o autor quis transmitir. Com toda essa idealização, odeio encontrar detalhes importantes para a descrição, principalmente de personagens, quando a leitura já está muito adiantada... Por exemplo, na primeira página a protagonista é descrita como uma garota ruiva, magricela e que usa meias até os joelhos. Perfeito, posso imaginá-la assim. Mas suponhamos que na página 234 a tal garota é mencionada da seguinte forma: “Ela estava tão nervosa que não parava de ajeitar os óculos grandes e redondos sobre o rosto”. Tipo, DE ONDE SURGIU A DROGA DOS ÓCULOS? Pode parecer outro exagero da minha parte, mas não gosto de acrescentar detalhes assim, do nada, nos personagens que imaginei de maneira "x" desde o início da história. A menos que haja uma explicação coerente para tal, claro. E isso cabe ao autor.

Quando um desalmado conta o final do livro. Um livro tem começo, meio e fim, mas, ao contrário do que alguns insistem em acreditar, esses pedaços não costumam ser independentes. O meio é ligado ao começo, e o final é uma conclusão abrangente dos dois. Logo, contar o desfecho de uma história para uma pessoa que ainda precisa de umas boas páginas para alcançá-lo é cruel, é desumano, é contra o código de conduta dos cidadãos munidos de sensatez! É destruir todo um contexto que vinha sendo mentalmente construído com tanto carinho... É arrancar uma expectativa arrebatadora das entranhas de alguém... É... Certo, já deu para entender. Spoilers são horríveis.

Quando o texto é muito complicado de se entender. Esses dias, meu professor de Filosofia comentou: “Quem escreve de um jeito muito rebuscado não quer ser compreendido”. Eu concordo. E concordo achando muito irônica a preferência de certos autores pelo “escrever para ninguém entender”, porque, quando escrevo, tendo a optar justamente pelo contrário. Escrevo para justificar a mim mesma. Escrevo para explicar minha complexa rede de opiniões em formação, meus sentimentos desinibidos e os que temem ser nomeados, minhas ideias mais absurdas e minha maneira de enxergar cada aspecto da realidade. Portanto, acho estranho quem não usa a escrita como forma de expressão, mas como forma de amaciar o próprio ego ao encher o texto de conceitos indefinidos e palavras difíceis — na esperança de que tal atitude denote uma capacidade intelectual muito acima da dos meros mortais. Coisa patética!

Acreditem, existem muitas outras frustrações... Dependendo do humor e da força de vontade da (teoricamente) velha ranzinza que lhes escreve, haverá continuação.

12 comentários:

  1. Concordo com todas essas desavenças da vida D: SUASHUA livros pesados e complexos principalmente, porque não é fácil carregá-los para qualquer lugar, e eu odeio não entender o contexto da história quando a linguagem é formal demais ):

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  2. Parabéns pelo post Lari! Eu como devoradora de livros amo histórias longas e livros com muitas páginas mas com certeza quando a história é realmente interessante. E quanto as palavras difíceis de certa forma elas podem ajudar no enriquecimento do nosso vocabulário mas ainda sim concordo com você que é bem chato ter que ficar com um dicionario ao lado procurando o significado de tais palavras. Enfim espero pela continuação do post. Gostei muito do blog e me identifiquei bastante com ele. Bjs

    www.pumpcolor.com.br

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  3. adorei a última dos textos rebuscados! realmente não querem ser entendidos né!? nada a ver , odeio livros assim!! que tem que ler com um dicionário do lado pra entender cada parágrafo. Não sei porque, associo livros muito longos com descrições muito muito longas e cansativas de cenários... !


    http://virtualparadisee.blogspot.com.br/

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  4. Esquenta não, Lari, não é só com você tudo isso, não, rsrs. São alguns dos meus dilemas diários, principalmente os dois primeiros. Qual é, quanto mais incrível for a história, melhor que ela seja grande e tal, mas... realmente, toda essa questão de peso proporcional é um ponto em contrapartida. Apesar de que, nessas horas, lembro, felizmente, da existência de dispositivos como o Kindle - que carrego como app no meu celular, leio muito nele e adoro! <3 - ou o Kobo. Se bem... tá, tem aquela parcela que só tem físico mesmo, mas, ah, você entendeu onde eu quis chegar. Acho. Se é que eu quis chegar realmente a algum lugar dizendo isso. ENFIM.
    Sobre as características dos personagens, parece até uma coisa boba falando assim por alto, mas é realmente algo que afeta um pouco a conexão durante a leitura. E, no exemplo que você citou, ainda foi apenas um acréscimo de detalhe. Imagina quando o autor, às vezes distraído, muda drasticamente algum detalhe e você fica meio se sentindo por fora, enganado, em vão. Tipo, não, por favor.
    Os dois últimos são bem verdadeiros também. Spoilers são terríveis mesmo, mas... confissão? Eu não me importo 'muito' com eles se for um acontecimento legal e muito espero por mim para a trama; nesses casos, dá até ainda mais vontade de ler. Mas, na maioria das vezes, não se tem como filtrar isso e às vezes só sai decepção, então, no geral... SEM SPOILERS, PLEASE! E, igualmente irritante, é essa mania de alguns escritores de escreverem de uma forma tão rebuscada e, eu diria, enrolada e cheia de detalhes. Isso me distancia das leituras quando acontece, mas felizmente não tenho encontrado casos assim ultimamente; são histórias muito bem escritas, mas sem exageros de palavreado, então, viva! Mas ainda penso que tem lá os gêneros necessários à essa linguagem - só não acho que a literatura esteja entre eles, afinal, é algo mais expansivo e abrangente, e tal.
    Ansiosa por mais posts como esse, sempre me divertem muito, além da identificação com eles também!
    Muitos beijos!

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  5. Ou quando o final é totalmente diferente e nada surpreendente: ou seja, o final que criamos na nossa cabeça e seria o final feliz dos personagens cai água abaixo. Ou quando o nosso personagem favorito é um personagem secundário e mal aparece mas história, deixando-nos, durante toda a leitura, com um 'quero mais". Ou quando temos uma vontade enorme de jogar a protagonista de uma ponte por ela ter tomado as atitudes erradas e não olhar um palmo adiante do seu nariz.

    Enfim... é exatamente isso que você falou: nem a leitura escapa da imperfeição. Concordo com todas as frustrações e espero por uma continuação! Beijos, Light As The Breeze

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  6. Boa tarde Larissa.. já li livros bem extensos, mas são cansativos demais.. costumo ler 30 minutos por dia.. as vezes ler um capitulo quando mais grande.. tem quem leie vários, mas só para constar em algum lugar.. leio livros ocultos que são reveladores, e não pode-se brincar com revelações.. na obra que estou fazendo estou tentando ser bem direto, nada de muita frescura e enrolação.. eu não curto livros que ficam ali com mais de 400 paginas e nada sai.. tem-se que ir logo ao que se quer passar.. sobre o outro contar sobre o livro aqui em casa é assim.. mas com filmes.. nem assisto mais.. é foda... sobre teu último relato.. no começo tentava ser diferente. escrever com palavras dificies.. até parece que alguém vai abrir o dicionário pra saber o que queremos dizer.. tem quem fale dificil pra se achar.. eu optei a ser simples com minhas poesias e parece que funciona.. ficam faceis de entender.. bjs de bom dia

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  7. ei tu =]]

    Frustrações frustantes rs A questão do peso, felizmente o Kobo salva vidas, se bem que nada se compara a delícia de virar as páginas, mas elas por elas, o conforto importa mais. Devo concordar com a pobreza de detalhes e também com o texto complicado, são duas situações que dão aquele nó no peito e nos jogam de cabeça contra a parede, mas nada é tão cruel quanto um desalmado contar o final da história rsrs ou melhor, qualquer parte decisiva de um livro.

    Partilhamos com muitos os mesmo infortúnios o/
    Isso aí.
    xoxoxo

    UmGoledeUtopia

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  8. Acho que eu e todas as pessoas acima fazemos parte do terceiro grupo de pessoas. Somos amantes de livros, não é por isso que vamos ignorar que livros possuem certos incômodos e defeitos.

    Livros grandes devem ser grandes desafios para os escritores pois, precisam ao máximo manter o leitor entretido ao enredo. Não vou mentir que quando passo alguns minutos lendo um livro desse tipo, depois de lê-lo eu penso: "nesse tempo todo, só li isso?".

    Detalhes e características deliciam nossas mentes com imagens, nos levam a mais perto dois personagens. Detesto quando acontece de mudarem as características físicas dos personagens, ou quando eu já criei uma imagem para algum deles e lá pelo décimo capítulo, descreverem ele. Quando acontece isso, particularmente me nego a imaginar da forma que o autor propõe, até porque, acho que ele não espera que tenhamos uma imagem da mesma forma que ele imaginou.

    Conheci a maldade dos spoiler do pior jeito, com um dos livros que mais prefiro. Dai quando você acha que a humanidade tem um pingo de bondade, alguém te conta o final da história. Só digo uma coisa, vocês não vão para o céu.

    Mais cansativo que livro extenso é livro de difícil entendimento. Você fica lutando com as palavras, chega uma hora que você começa o que eu chamo de "leitura automática", você lê um parágrafo mas ao final deste, você nem sabe o que leu.

    Beijos Lari o/

    arquitetodemundos.blogspot.com

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  9. UHASUHASUAHSUHAUSHASUHAUSHAUHSUASH' Sim! Não é só com você. Isso tudo acontece comigo o tempo todo u-u Adorei o post <3
    Estou seguindo o blog também *o* Incrível.
    Pode dar uma passadinha no meu? É novo, criei ontem.
    Obrigada, amore :3
    http://resenhando-s2.blogspot.com.br/

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  10. Quase quebrei meu nariz com um livro pesado! Acho que todo leitor passa por isso, infelizmente. Mas acho que nenhuma frustração consegue destruir a magia da leitura. É aquela típica frase do "ruim com eles, pior (muito, muito pior!) sem eles".
    PS.: A página dos blogs afiliados agora está com o nome Outros Mundos, que fofo! :3
    Saudade de você, Lari! <3
    Sel do Jovens Gordinhas

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    1. Seeeeeel, você está de volta! Aêêêêêêêêê \o/

      (Eu estava morrendo de saudades de você também, moça!)
      (Certo, deu pra perceber.)
      (Mas é sempre bom ressaltar...)

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  11. Odeio quando me contam o final. Aqui em casa, quem lê mais é minha mãe e minha irmã, assim como eu, e temos uma estante grandona e eu ainda não li todos e, tipo, super odeio quando começam a falar dos livros que estão na minha lista de espera e DO NADA UM SPOILER APARECE E AI COMENTAM O FINAL.
    Dá vontade de me jogar dum prédio, porque eu sou ansiosa e crio expectativas sobre os livros (:

    Não gosto também quando o texto é muito complicado, mas me esforço bastante, porque gosto de desafios (tipo O Príncipe, de Maquiavel, foi difícil, mas entendi o conceito). Apesar de gostar de ler coisas complicadas pelo desafio, nunca conseguiria escrever desse jeito, mesmo com meus pensamentos confusos quando escrevo sai até que simples, mesmo que aqui dentro da minha caixola continue confuso. Isso faz sentido?

    A única coisa ruim de livros pesados é que eu os levo para a escola e fico com dor nos ombros (indireta pro George R.R. Martin)

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