Por uma vida em que é doce viver

As sombras espessas
Cruzam às pressas
A brecha da porta da casa sem dono
Mais negras que o escuro
Cobrindo o futuro
Manchando de medo o resto de sono

O menino mendigo
Encolhe-se ao abrigo
Que lhe apareceu em meio à tempestade
A falta de sorte
Afeita à morte
Dando-lhe exemplo de rara bondade

Mas o teto geme
E o menino teme
Que as telhas desabem num instante fugaz
Tirando do fundo
Do seu corpo imundo
A alma carente de um pouco de paz

Mas a casa resiste
E o menino insiste
Em esconder da fome a vontade do pão
Ele apela à droga
Que logo o afoga
Num entorpecimento de mera ilusão

A chuva cessa
Com as sombras, sem pressa,
Cedendo espaço ao amanhecer
O menino desperta
Na rotina incerta
Querendo uma vida em que é doce viver

3 comentários:

  1. Boa tarde Larissa.. ficou sublime os teus versos.. acho que posso te chamar de poetisa..
    a poesia encanta ainda mais quando é rimada.. tem uma visão real do que colocaste nela.. geralmente a poesia mostra os fatos de uma maneira mais direta e tvz isso deixe as pessoas boiando. ou dizerem que não gostam das mesmas.. elas tem medo da realidade.. mandei algumas músicas ao teu email espero que curta.. bjs e até sempre

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  2. O que eu mais gosto nas boas poesias é exatamente isso: o quanto elas retratam a realidade em pequenos versos. O quanto podemos entender com somente uma frase e o quanto tudo isso faz sentido. Geralmente são as próprias poesias, com pequenos e simples versos que me fazem refletir sobre um bocado de coisas, ao invés de um texto enorme e confuso (não que os textos enormes não tenham seu valor, pois é claro que eles tem, o que eu quis dizer é que as vezes uma poesia pode nos levar ao caminho da reflexão mais rápido, de forma que esta seja mais eficaz). E, como sempre, adorei! Beijos, Light As The Breeze

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  3. Poetisa tu já é a muito tempo. Parece até que brinca com as palavras, será?
    Se for, nessa brincadeira você já é profissional. É cativante a realidade expressa nesses versos.
    Dá até pra "sentir" o texto...

    Beijos, Própria Mente

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