Prateleira: Memórias de Um Sargento de Milícias

Apenas a definição “Literatura Clássica” pode causar um belo arrepio em muita gente... Não é para menos: os livros que seguem essa linhagem costumam envolver temas muito distantes da nossa realidade, possuem uma linguagem complicada e, o pior de tudo: são associados com frequência — senão sempre  às provas de fim de bimestre na escola e aos tais dos vestibulares.

Dentre as pessoas que veneram e as que repugnam esse tipo de leitura, eu me colocaria em cima do muro. Assim, um meio termo mesmo, sabe? Simplesmente porque, apesar de concordar com os argumentos que utilizei como exemplo no parágrafo anterior, sou adepta da ideia das exceções que fogem à regra. No caso, muitas, muitas exceções...

Essa introdução é só para deixar claro que eu não estou querendo pagar de Senhorita Excêntrica/super culta quando venho indicar livros como O Guarani aqui no blog. Aliás, seria como pagar de Senhorita Excêntrica/super culta/super poser, tendo em vista que, quando tenho a oportunidade de ir a bibliotecas ou livrarias, vou direto à parte das modinhas literárias ("leituras famosas entre os adolescentes"). Quando indico livros assim a intenção é, portanto, mudar o conceito fechado que muitos mantêm sobre os mesmos. Qual é, toda leitura tem sua magia. “Beleza, Lari, mas será que agora dá para parar de enrolar e resenhar logo o que tem que ser resenhado?

O que tem de ser “resenhado” (entre aspas porque minhas indicações são muito imprecisas para serem resenhas), desta vez, é Memórias de Um Sargento de Milícias. Aham, isso aí!

A primeira coisa que me chamou a atenção no livro foi o formato. Não, não vou falar sobre espaçamento das margens, fonte ou sei lá o quê — até porque o livro tem várias publicações diferentes , e sim sobre os capítulos: a título de curiosidade, sabia que, originalmente, Memórias de Um Sargento de Milícias foi publicado em fragmentos semanais em um jornal, entre 1852 e 1853? Legal, né? Quer dizer, isso lembra web séries — momento marketing: ei, você, já está acompanhando Perto do Nada? #táparei , e realmente funcionava mais ou menos como uma, entre o pessoal cheio do money. Indo para a parte prática, esse detalhe faz com que os capítulos sejam curtinhos. Porém, a parte não prática é que a escrita pode confundir e fazer com que você releia o mesmo parágrafo várias vezes antes de passar para o próximo. Prosseguindo, o enredo pode até parecer meio sem-graça... 

Na história de Leonardo — que gosta muito mais de se divertir do que de trabalhar — o autor faz uma irresistível e bem-humorada crônica sobre o cotidiano das classes baixas do Rio de Janeiro na época de dom João VI. [Fonte: Skoob]

E talvez seja, mas é irrelevante porque são as descrições das cenas e o contexto que nos divertem! A leitura funciona como uma viagem no tempo, mais especificamente, para o tempo do rei. Manuel Antônio de Almeida, o autor, foca-se no que seria as classes mais baixas (ou melhor, "classes médias", já que ainda estavam acima dos escravos e dos homens livres sem ocupação) da época, e consegue nos arrancar risadas ao narrar os costumes do tipo “hilários pra caramba" e, por vezes, exagerados, que então eram normais. Além disso, um ponto forte e original para a história é o fato de não haverem vilões ou mocinhos no decorrer das páginas: o que existe são pessoas que erram e que acertam, que vivem dias ruins e dias bons. São pessoas como nós. Pelo menos de certa forma.

10 comentários:

  1. Gostei da tua proposta, de verdade.
    Acho que todo tipo de leitura pode nos oferecer coisas boas, basta darmos uma oportunidade e nos aventurarmos por um mundo novo.
    Gostei muuito da tua forma de escreve , e sabe que me deu vontade de pegar esse livro entocado no fundo da gaveta e começar a ler? rs
    Quem sabe eu volto e conto como foi rsrs
    http://gabipuppe.blogspot.com.br/

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    1. É isso aí, "todo tipo de leitura pode nos oferecer coisas boas"... Leia sim, môre, depois venha me contar o que achou!

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  2. Eu tive que ler esse livro p/ fazer uma prova da escola :S mas confesso que acabei gostando do livro :DD

    http://www.bemodelblog.com/

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  3. AAAAAAAAAAAAAAAAAAH!! QUE COINCIDÊNCIA, EU TÔ LENDO ESTE LIVRO!! EU TÔ LENDO ELE!! *-*
    Já deu pra perceber que eu gosto de coincidências, né? kkkkkkkkk Pois é, só que ainda estou na parte 1. ~_~
    Gostei muito da tua "resenha" kkk

    Beijos;
    http://propria-mente.blogspot.com.br/

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    1. UHUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUULLLLLLLLLLL!!!
      (É, também adoro coincidências, aushas')

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  4. Como você disse: quando vou a alguma livraria (ou loja virtual, pois no buraco da minha cidade só existe uma livraria que é maior que o banheiro e menor que a sala, mas mesmo assim é uma livraria que me deixa louca por seus livros) sempre procuro essas modinhas e é tão bom ler livros mais "antigos", fazer leituras diferentes como você e falar de livros que sabe, pouca gente conhece. Eu amo isso! Só falta achar um livro na biblioteca da minha escola que seja de época mas ao menos com uma sinopse divertida. Enfim, amei a resenha! Beijos, Light As The Breeze

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  5. Concordo quando diz que toda leitura tem sua magia. Gosto demais de Jorge Amado, Machado de Assis, José de Alencar. Tem todo um charme de época e até fatos bem atuais. Beijo.

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  6. Também fico em cima do muro, Lari. Vou direto para as modinhas literárias mas, assim como você, não dispenso boas exceções... Memórias de um Sargento de Milícias parece ser legal, fiquei curiosa.
    Beijos♥
    http://menina-do-sol.blogspot.com.br/

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  7. Desses livros clássicos, o único que li foi Dom Casmurro, mas ainda tenho O Cortiço e O Primo Basílio pra ler. Tenho vontade de ler esse e Memórias Póstumas de Brás Cubas, devem ser bons! :3
    Bjo, Sel ;*

    Jovens Gordinhas

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