Capítulo VI: Palavras da menina da cidade

Foi quando já estava escurecendo que ouvi o barulho de um carro se aproximando da porteira. 

Corri para a porta, na esperança de que fossem meus amigos voltando do posto e prontíssimos para pegar a estrada de volta para a casa. 

Não eram Vanessa e Paulo. Era Rafael, voltando de seu compromisso na cidade.

Se antes eu já estava em desespero, agora eu podia sentir lágrimas aflitas escorrendo por meu rosto. Eu sabia que estava agindo que nem criança daquela forma, mas eu não podia me conter: era muito para um dia só. 

Na tarde daquele mesmo sábado Felipe ainda estava olhando torto para Rafael (devido ao “estranhamento” pelo qual haviam passado de manhã), mas, agora que via a minha situação, acabou cedendo e pedindo a ele que desse uma sugestão sobre onde os dois poderiam estar. Rafael disse que a cidade não era tão grande assim, portanto também não oferecia grandes opções de lazer. A conclusão que nós chegamos, então, foi que talvez o Opala tivesse dado um problema mais grave do que um simples vazamento no tanque enquanto Vanessa e Paulo iam ao posto (ou voltavam do mesmo).

— Eles devem ter ficado presos na estrada, tentando pedir ajuda a alguém... — observou Felipe — E devem estar lá ainda, pois, como verificamos mais cedo, nem o celular dela nem o dele estava com área.

— Então vamos atrás deles, ora! — disse eu, exaltada.

— Não sei se eu recomendaria isso... — disse Rafael, por sua vez — Dirigir por essas estradas de dia já é horrível, de noite então nem se fala. Claro que em qualquer outra ocasião isso não seria impedimento algum, mas, não sei se perceberam, está chovendo.

— É um chuvisco de nada! — quase gritei, depois de ir impulsivamente até a janela conferir.

O barulho de um trovão me contradisse assim que dei minha sentença, por uma coincidência infeliz.

— E mesmo que esteja trovejando um pouco, — acrescentei, como que para disfarçar — eu nunca deixei de sair de casa por causa de um tempo mais molhado.

— Palavras da menina da cidade! — disse Rafael, num tom irônico que eu não soube identificar se era brincadeira ou se era o primeiro sinal de que ele já ia perdendo a paciência com a minha teimosia — Sem querer ser grosso, Emanuela, mas aqui não é São Paulo. Aqui não há asfalto. Isso pode ter seu lado positivo, mas o negativo é que um “chuvisco de nada” basta para a estrada virar um brejo. 

— É, acho que ele tem razão, Manu — concordou Felipe. — Não vai adiantar nada a gente ir atrás deles agora e correr o risco de atolar o carro. Vamos esperar mais um pouco antes de tomar qualquer atitude. 

— Quer saber de uma coisa? — comecei a gritar, soltando as palavras sem medir nenhuma delas — Você só está dizendo isso porque está dirigindo o carro do seu pai! Oh, porque e se acontecer alguma coisa com o carro do papai, né? Poxa, Felipe, será que você pode parar um pouquinho de ser tão mimado e egoísta? São os nossos amigos que estão lá fora! São eles que estão nessa chuva, precisando da nossa ajuda! Mas claro que você não liga para isso. Você não liga nem pra gente, quem dirá pra eles!

Disse isso e saí da sala em direção à cozinha. Não que eu precisasse fazer algo lá, mas era um dos únicos locais da casa que eu conhecia: logo, um dos únicos lugares para os quais eu podia me dirigir a fim de me acalmar.

Cheguei, puxei uma cadeira e sentei. Apoiei os cotovelos na mesa, as mãos apoiando minha cabeça. Eu respirava fundo e tentava pensar com clareza... Tudo o que eu podia pensar era que Felipe não merecia metade do que eu havia despejado em cima dele. O remorso bateu, porém permaneci onde estava. A chuva, agora, caía forte lá fora. Aquele som, somado ao meu cansaço e estresse, fez com que meus olhos fossem ficando pesados, pesados...

11 comentários:

  1. Texto show, você tem futuro na escrita, flor!

    Amei muito a postagem! *-*

    Um beijo, Luuh C.
    luuhkawaii.blogspot.com.br/

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  2. Mais perfeito a cada capítulo, Lari *----* Amando demais! Só espero que, bem, a Manu e o Felipe se resolvam - ainda não simpatizem total com eles, mas, ainda tem tempo para isso acontecer, rs - e que eles encontrem a Vanessa e o Paulo. Porém, sei que você ainda vai aprontar bastante com eles, né? Tudo bem, não estou com muita pressa - apenas quero o capítulo VII para ontem! <3
    Beijos...

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  3. Veelho .... *-*
    Já pensou em ser escritora ? Pois tem futuro , e serei a primeira a comprar seus livros u.u

    Beijos,
    http://blog-uma-outra-estacao.blogspot.com.br/

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    1. Vivo sonhando com isso, e os comentários de vocês me incentivam ♥

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  4. Meu Deus, até eu estou preocupada, haha. Como você disse que teria um pouco de suspense/terror, estou temerosa. Onde estão os dois?
    Beijos Lari♥
    http://menina-do-sol.blogspot.com.br/

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  5. Sinceramente, nunca sei o que comentar em cada capítulo. Isso por que, sabe Lari, você é demais. E super concordo com a Anna, que tal não tentar na carreira de escritora? Serei a primeira na fila dos autógrafos! Sobre a web série: perfeição define! Beijos enormes, Light As The Breeze

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  6. Olá amada, seu blog é incrível, já estou te seguindo, parabéns pelo trabalho,
    Eu também tenho um blog se puder vem conhecer o blog, e se gostar me segue também?
    Se puder muito obrigada...
    Beijoss...
    Atitude da Beleza| FanPage| Youtube

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  7. Uii! Mais divo do que os outros capítulos.
    Eu tô com um pouco de medo do que possa ter acontecido à Vanessa e ao Paulo (sempre penso nas piores tragédias)...

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  8. Só acho que a Celeste vai aparecer pra Manu (olha a intimidade já! kkkk), tomara que eles encontrem a Vanessa e o Paulo, ou será que Celeste já encontrou? Ai meu Deus, que ansiedade! haha'
    Bjo, Sel ;*

    Jovens Gordinhas

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  9. Wow. Eu estou amando a história, Lari. Tu escreve muito bem.~ <3
    Pior que é demais para uma garota só aguentar, né? É a crise com o namorado, a descoberta da morte da prima, o sumiço dos amigos no meio desse temporal. Acho que eu também ia dar essas surtadas. :/
    Estou preocupada com o fato daquele dois terem sumido. Oh Lord! Bem, vou continuar acompanhando.
    Beeijos. :*

    Book Addicted.~

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  10. nossa que angustiante, que angustia eu senti lendo esse capítulo... parece com os meus sonhos de terror: eu tentando voltar pra casa mas nunca consigo, sempre tem que acontecer alguma coisa.
    Ainda não identifiquei a personalidade do Felipe, mas não acho que ele seja tão egoísta a ponto de não querer ir só por causa do carro do pai, talvez apenas estivesse usando o bom senso, e a Manu... É só uma menina da cidade.
    não sei porque, não estou gostando mais da Manu, mas vou levar em conta essa crise que ela ta passando aí. Espero que ela acorde mais legal.

    Ananda Maciel ∞

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