Novelos da linha de pensamento: a treva

1° novelo da linha de pensamento. É tão palpável o silêncio que cobre a cidade quando acaba a luz à noite...! Talvez as pessoas passem a conversar aos cochichos para não acordar as criaturas das trevas... Ou talvez estejam, simplesmente, travadas. Eu consigo visualizar isto: em pânico devido à falta de TV e internet, elas ficam com uns olhos estalados e começam a salivar enquanto balbuciam palavras estranhas, balançando, agarradas aos joelhos, para frente e para trás. Então, travam. Só voltam a ficar normais novamente quando os seres que controlam este plano ilusório dão um jeito na situação. Depois é como se nada tivesse acontecido.

É uma hipótese.

2° novelo da linha de pensamento. Hipóteses levam à questão da imaginação, e imaginação é algo bem interessante de se ter quando se está sem luz. É assim que surgem as lendas, por exemplo. Afinal, se não vemos tantas assombrações quanto nossos avós ou bisavós viam em seu tempo, não é porque somos mais céticos; é porque temos energia elétrica. Mudem todos para a zona rural e fiquem sem luz à noite para ver se o chupa-cabra não vem dar um salve...

No escuro, tentamos dar significado às coisas apenas vagamente identificadas por nossos sentidos; daí o cérebro, influenciado pelo medo e por certas sugestões, começa a trazer uma galera do inferno para a terra mesmo. Acontece.

3° novelo da linha de pensamento. Sem o ofuscamento causado pelas luzes da cidade, as estrelas também ficam bem mais nítidas e hipnóticas. Uma vez o olhar fixado nelas, parece que elas se mexem, ou somem diante da vista, ou brilham de formas diferentes ou que são, afinal, óvnis.

4° novelo da linha de pensamento. Pode ser que os óvnis não se disfarcem de estrelas, e sim, surpreendentemente, de nuvens. Estas fotografias que tirei no sítio ano passado retratam, claramente (ou quase isso), um disco voador:



Vocês veem? Eu vejo.


Mas talvez seja apenas uma nuvem lenticular (ou algo que o valha), é claro.


Veja também:

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